quinta-feira, 30 de junho de 2011

Poema do Pimento-Livro-Livramento





Vou me livrar deste livro
Ó livro! Como me livro?
Come-me livro!
livre do livro me consome liberto
o livro é parte deste meu corpo aberto

vou me livrar do meu livramento
vou ler um livro a cada momento
pimentos na rama do conhecimento

ler um livro para ter conhecimento
mas para ser sábio e estar liberto
é melhor deixar o livro aberto  

quinta-feira, 9 de junho de 2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Vixe-Maria!





As formas
de diversidade da língua
portuguesa
excreta ao canarinho

tende a xadrez
tende a burguês
estes colonizadores lusos

uso tal forma
oral
de expressão
preso
disperso
no umbral

forma do marechal
acertada
confirmada
florífera
moldagem
prova
da academia
portuguesa
de letras
que prende
a toda gente
a falar
sem esbanjar
alegria
simpatia

nos faz mundanamente
fonte de expressão
não urbana
não popular
não consigo falar
como Saramago
amado e desprezado

por que sou da grande
favela brasileira
meiga
leiga
de Manaus
passando pelas bambas
do Rio
ate as pampas
perto do rio Riachuelo

o rei covarde não viu
a nossa parte

por isso é que eu digo
VIXE-MARIA!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Falso!

Eu sou um verdadeiro 
intelectual
leio jornal, a pagina criminal
e recrimino nos meus contos
que já ganharam muitos prêmios
mas quando vejo alguém apanhando
na minha frente viro a cara
como se a pessoa não fosse gente

Eu sim sou um verdadeiro intelectual
leio jornal, e jogo futebol
xingo o juiz
e faço xixi na calçada
e digo que eu sim sou revolucionário
desacato a ordem social 
mas digo que era tudo ideologia
me prendem mas me orgulho
mergulho num labirinto sem fim
dentro de mim
e me afoga o pé da letra

saio da cadeia
entro noutra cadeia social
quero romper as grades
mas a palavra sempre fica na ponte da língua
na verdade não passo de um simples intelectual

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Vinte-quatro Versos para uma só Barata Morta



E a barata morreu vermelha e preta morreu
na teta do sujo
fugiram do habitar(o habitar fugido)
as formigas pretas que andam por aí 
como fantasmas sem alma
sem corpo
e até mesmo sem transparência

a Barata morreu sem nome
a barata que é tudo ou nada
a tal que poderia sobre-viver
a bomba-núclear 
mas morre tão rápido como morre
o dia que a bomba nunca será
uma morte merecida
a bomba só seria uma morte 
mas quem mata mesmo a barata é noite-e-dia

e a barata segue a sua vida
na morte segue a sua vida
a sua vida é agora na vida
nas bocas que rápido morreram
de formigas numa noite
fria de verão
a morte da barata é dar vida
as outras pequenas e nulas vidas
das pretas formigas





(NÃO COLOQUEI NENHUMA IMAGEM, POR CAUASA QUE A IMAGEM DE UMA BARATA ME É MUITO INCOMODA)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A missa em pleno carnaval


 Quando morávamos naquela casa no Cumbuco, minha mãe replicava que tinha medo do barulho das ondas, pois quando esbravejavam contra a areia faziam o barulho de um trovão melodioso e melancólico, parecia que esse trovão queria abrir as portas do seu coração fechado e rancoroso, de muitos homens e um Zeus que tanto lhe fizera mal, reclamava com o trovão do mar dizendo-lhe que ela não era nenhuma arvore propicia, nenhum eletrodoméstico acesso, mas sim um coração cheio de para-raios, um coração fechado, tão fechado que escorria pequenos rios de sangues nas mãos que o retinha, e que mãos eram essas? Eram as mãos dele, e quem era ele? Ela nunca me contou, mas a onda a fazia chorar, o sangue lhe escorria fazendo um rio longo e cheio de relevos, passava devagar dos olhos até o começo da bochecha, depois corria com pressa até o terminar do rosto.

 Aquela onda que se repetia, e aquele homem que eu não conhecia, mas se tivesse chance de ver-lo algum dia o espancaria, o insultaria, mas com que motivos? Se ela nunca me contou, ele era simplesmente o homem de nome que nem quero mencionar, ela tinha mais medo dele do que do próprio diabo, ela tinha e tem.

 As ondas seguem a bater na praia, lá onde ele se encontra, ela já não, agora mora quase no centro de Fortaleza, mas as ondas seguem lá, como que se tratasse do inferno, o inferno sempre está lá e ela sempre sentira medo, ele é um sacerdote com sua agua benta que nada cura, e seu pregar tenebroso, eu sou o menino rancoroso, que não sabe o porque, é uma missa que se passa todos os dias é uma missa em pleno carnaval.

domingo, 10 de abril de 2011

Em Trovejo

Hoje trovejou
e iniciou o meu dia
não sabia se escrevia prosa ou poesia

trovejou
e um céu escuro me atormentou
e nada chovia

o medo e o lamento dentro do apartamento
livros de auto-ajuda e a chuva não caia
a minha companhia era que eu não via

trovejava?
Ou era eu que estremecia?